O Pássaro Verde













De todas as histórias tradicionais portuguesas reescritas pela Alice Vieira, talvez esta seja a mais bonita, ou não...





Para crianças a partir dos 6 anos.

As Prendas de Anos





Já aqui falei da primeira história do Coelho e do Ouriço - Um Bocadinho de Inverno onde o tema principal era a saudade.

Desta vez o escritor Paul Stewart mostra que os amigos, mesmo aqueles que são muito diferentes, podem sempre dar a amizade como presente.



- Ouriço - disse o Coelho. - Quando fazes anos?

- Não sei - respondeu o Ouriço.

- Eu também não sei - suspirou o Coelho.

- Se eu não sei quando é que faço anos - disse o Ouriço -, como é que tu havias de saber?

- O que eu quero dizer - disse o Coelho - é que não sei quando eu faço anos.

- Ah - disse o Ouriço.



Enquanto olhavam para o sol a pôr-se por trás das árvores, o Ouriço e o Coelho pensavam com tristeza em todos os dias de anos que nunca haviam de ter.




(...)



Paul Stewart

in As Prendas de Anos, Caminho, Lisboa, 2003.



Para crianças a partir dos 5 anos.

O Palhaço Verde





Centrado na comovente figura de um jovem palhaço e na sua entrada no mundo do circo, este conto oferece-nos uma tocante abordagem desse universo mágico, um reino de sonho desdobrado em personagens carregadas de ternura – o Senhor Forças, a menina Juju com o seu cavalinho "Luar", a Dona Esperancinha, a menina Flor, o ilusionista Senhor Fumo ou o cão "Zero", para lá do próprio palhaço verde – , todas elas contribuindo para a felicidade dos pequenos leitores e para despertar no seu espírito a frescura e o encanto de um olhar luminoso sobre o mundo, que aliás se transmite das crianças aos artistas, "como se soubessem que era precisa a música da sua alegria para encher o coração de alguém."



in Instituto Camões



Para crianças a partir dos 6 anos.

A Nau Catrineta

O Romanceiro Português é um conjunto de romances tradicionais populares. DSem autor conhecido nem texto fixo, os romances são transmitidos por via oral, o que origina um grande número de variantes. A sua origem está ligada aos cantares de gesta.



Maria Augusta Seabra Diniz

in As Fadas não foram à Escola, Lisboa, Edições Asa, 1994.





A Nau Catrineta foi uma das recolhas efectuadas por Almeida Garrett, entre 1830 e 1851 e que juntamente com outra poesias de tradição popular deram origem aos três volumes do Romanceiro.





Lá vem a Nau Catrineta

Que tem muito que contar!

Ouvide agora, senhores,

Uma história de pasmar.



Passava mais de ano e dia

Que iam na volta do mar,

Já não tinham que comer,

Já não tinham que manjar.



Deitaram sola de molho

Para o outro dia jantar;

Mas a sola era tão rija,

Que a não puderam tragar.



Deitaram sortes à ventura

Qual se havia de matar;

Logo foi cair a sorte

No capitão general.



- "Sobe, sobe, marujinho,

Àquele mastro real,

Vê se vês terras de Espanha,

As praias de Portugal!"



- "Não vejo terras de Espanha,

Nem praias de Portugal;

Vejo sete espadas nuas

Que estão para te matar."



- "Acima, acima, gageiro,

Acima ao tope real!

Olha se enxergas Espanha,

Areias de Portugal!"



- "Alvíssaras, capitão,

Meu capitão general!

Já vejo terras de Espanha,

Areias de Portugal!"

Mais enxergo três meninas,

Debaixo de um laranjal:

Uma sentada a coser,

Outra na roca a fiar,

A mais formosa de todas

Está no meio a chorar."




(...)

Ser Feliz





Ser feliz é maravilhoso

É como ter um balão dentro de ti

e o balão está cheio de ar quente,

tu ficas mais leve e quase a voar.




(...)



Leif Kristiansson

in Ser Feliz, Editorial Presença, Lisboa, 1997.

[tradução de Sophia de Mello Breyner Andresen]

Ciro











De noite todos os gatos são pardos, porque o escuro é tão escuro que apaga todas as cores, mesmo a cor dos pêlos dos gatos.

Mas não em Veneza.

Não em veneza, nas noites de lua cheia.

Porque é nessas noites que os gatos de Veneza exibem todas as suas cores: arqueiam o dorso e espetam o pêlo para parecerem maiores.

Porque é nessas noites que os gatos de Veneza vão à caça de amor.



Também o Ciro andava à caça de amor.


(...)



Beatrice Masini

in Ciro à procura de Amor, Livros Horizonte, Lisboa, 2000.

Os Gnomos de Gnu





[o texto segue dentro de momentos]

26 poemas sobre animais



Arca de Noé, Luisa Ducla Soares, LIvros Horizonte, Lisboa, 1999.







Se os poemas fazem rir, as ilustrações não ficam atrás.



Para crianças a partir dos 6 anos.

O Adivinhão



O Adivinhão, Viale Moutinho, Edições Afrontamento,Porto, 1997.



São adivinhas tradicionais portuguesas, seleccionadas e apresentadas por Viale Moutinho.

Um livro muito divertido (e barato)com algumas adivinhas que, provavelmente, nunca ouviram dizer.



Para crianças a partir dos 6 anos.

Versos





Com versos da cor da lua

és tão grande e pequenino

como esta página branca

em que leio o teu destino.

Dorme agora sossegado

como as nuvens à noitinha

que eu fico aqui a teu lado

com a tua mão na minha.



Com versos da cor da luz

é que eu embalo o teu sono

nessa cadência suave

das cantigas de Outono.

E vêm bruxas e fadas,

duendes e feiticeiras

com mantos feitos de bruma

para saltar fogueiras.




(...)



José Jorge Letria

in Versos para os Pais lerem aos Filhos em Noites de Luar, Ambar, Lisboa, 2003.



São assim alguns dos versos deste livro. Versos que nos reportam para as canções de embalar através das repetições utilizadas, do ritmo e da cadência das palavras.

As ilustrações de André Letria são belíssimas e no fundo azul escuro do livro fazem-nos entrar no mundo da noite e dos sonhos.

É um livro cheio de ternura e afectos.



Para crianças a partir dos 6 anos.

O Pintor e o Pássaro





Era uma vez um pintor. Pobre como quase todos os pintores. E como quase todos os pintores tinha um amor muito grande pelos quadros que pintava. Mas havia um que ele preferia: o quadro que tinha um pássaro maravilhoso.



(...)



Max Velthuijs

in O Pintor e o Pássaro, Livraria Sá da Costa Editores, Lisboa, 1973.



Porque todos pertencemos a determinado lugar... até mesmo os pássaros.



Para crianças a partir dos 6 anos.

As Cançõezinhas da Tila





É um livro de olhar, ouvir e ler:

olhar a arte de Maria Keil, ouvir a música de Fernando Lopes-Graça intrepretada pelas vozes infantis do "Baqndo dos Gambozinos", ler a poesia de Matilde Rosa Araújo.




Este livro é um embalo num colo de ternura.



Para crianças a partir dos 4 anos.

A Bomba e o General



Era uma vez um átomo.





E era uma vez um general mau com uma farda cheia de galões.





O mundo está cheio de átomos.

Tudo é feito de átomos:

os átomos são pequeníssimos e quando se juntam formam as moléculas que por sua vez formam todas as coisas que conhecemos.



A mãe é feita de átomos.

O leite é feito de átomos.

A mulher é feita de átomos.

O ar é feito de átomos.

O fogo é feito de átomos.

Nós somos feitos de átomos.




(...)



Umberto Eco

in A Bomba e o General, Quetzal Editores, Lisboa, 1988.







E se quiserem saber o resto da história, procurem este livro.

As ilustrações são diferentes; para além das tintas são também usados restos de tecidos, papéis rasgados e imagens retiradas de jornais ou outros livros.

Fazem-me lembrar a Rosa e os seus bonecos.



Para crianças a partir dos 7 anos.

Leónia devora os Livros



Leónia devora os Livros, Fréderic du Bus, Caminho, Lisboa, 1989.



Este livro talvez seja um dos mais divertidos que já li.

É um livro que fala de livros, de histórias de encantar, e de alguém que gostava tanto, mas tanto dessas histórias, que as devorava de uma vez só.



Desta vez, não vos deixo um "cheirinho" do livro. Vão a uma livraria e se o encontrarem, tenho a certeza que sairão de lá com o livro debaixo do braço ou então.... pelo menos com um sorriso.

: )

Mais uma vez... a poesia

<7br>



Este livro não é uma antologia e muito menos uma antologia panorâmica. Constituído por obras de poetas de todos os países de língua oficial portuguesa, é um livro de iniciação, destinado à infância e à adolescência e onde ptocurei reunir poemas que, sendo verdadeira poesia, também sejam acessíveis.



(...)



Não quis fazer um livro de ensino mas apenas mostrar o poema em si próprio. Pois creio que só a arte é didáctica.

Sophia de Mello Breyner



Para crianças a partir dos 6 anos.

Mais Rimas





Mais uma vez, José Jorge Letria apresenta-nos um livros cheio de versos divertidos para todos aqueles que gostam de ler e ouvir ler.





Por causa de uma cebola

chorei o suficiente

para encher uma ampola.

Com o sal de uma lágrima

dei brilho a uma lantejoula,

apanhei uma papoula,

dei milho a uma rola

e depois sentei-me à mesa

comendo comida crioula.




José Jorge Letria

in Uma Mão cheia de Rimas para Primos e Primas, Terramar, Lisboa, 1996.

Dia Mundial do Livro

Reler não é repetir, é renovar constantemente um infatigável amor.



Daniel Pennac

in Como Um Romance

O Tesouro





Há muitos anos, no tempo em que o teu pai andava na escola, num país muito distante vivia um povo infeliz e solitário, vergado sob o peso de uma misteriosa tristeza. O céu era alto e azul, os campos férteis, o mar e os rios cheios de peixes e de vida, as cidades quentes e luminosas, mas as pessoas que passavam entreolhavam-se com olhos tristes, caminhando apressadamente e sumindo-se dentro das casas; e quando se esncontravam umas com as outras, nos cafés, nos empregos, na rua, falavam baixo, como se alguma coisa, um segredo terrível, as amedrontasse.



Quem, vindo de outras terras, chagava ao Páis das Pessoas Tristes, não compreendia. As pessoas eram boas e afectuosas, e aparentemente só tinham motivos para para ser felizes. Mas quando lhes faziam perguntas, as pessoas afastavam-se e não respondiam, ou mudavam delicadamente de assunto pedindo desculpa.


(...)



Manuel António Pina

in O Tesouro, Associação 25 de Abril, s/d.

Era Uma Vez um Cravo





Tendo como fio condutor um cravo vermelho, a história fala de todo o ambiente vivido em Lisboa no dia da Revolução.

Mais uma vez, José Jorge Letria e o seu filho, André Letria, juntos, num livro vermelho de alegria.





Era uma vez um cravo

nascido no mês de Abril

para enfeitar a tarde

de uma festa infantil



Era vermelho e fresco

como um fruto da estação

e posto numa lapela

fazia um figurão



(...)



E esse cravo de Abril

de um veremlho tão vivo

olhava o mundo em redor

como seu olhar altivo



Mas era um cravo triste

porque triste era o seu país

e a sua tristeza ia

desde o caule à raiz



(...)



Mas nessa noite acordou

ao ouvir na telefonia

uma música bonita

que anunciava alegria



Um cantor chamado Zeca

dizia no seu refrão

que era tempo de amizade

com um travo de emoção



(...)




José Jorge Letria

in Era uma Vez um Cravo, Câmara Municipal de Lisboa - Departamento de Cultura, 1999.

Livros infantis e juvenis sobre a Revolução

A partir de hoje e durante alguns dias vou dar-vos a conhecer alguns livros que falam sobre o 25 de Abril. São todos muito diferentes: uns com uma linguagem mais simples, outros com um discurso mais elaborado, uns com ilustrações, outros sem qualquer tipo de desenho ou com muito poucos, uns em prosa, e outros em verso. De qualquer forma, todos eles são excelentes.

Espero que gostem!

Este mês...

...na Fábrica da Pólvora, em Barcarena.



A poesia na prosa das palavras





Mais um livros da minha infância.

A edição já é muito antiga, data de 1986. Presentemente, a capa do livro está um pouco diferente mas acho que as alterações não foram assim tão grandes e é fácil reconhecer o livro em qualquer livraria.



O Sol



Eu devia ter uma pena de luz para contar esta história. E não tenho. Mas os olhos dos meninos são luz e quem me lê há-de emprestar luz a estas palavras.

Chovia muito. Dias seguidos. Às vezes a chuva cai miudinha como flores. Ou dedos leves e frios que nos passm pela cabeça, pelo rosto. Mas agora não. Tinham sido cordas de chuva, grossas. Longos e grandes navios de chuva. E o Sol não aparecia.

Chovia muito. Muito. Levantava-se o dia a chover. A noite subia da terra para o céu naqueles navios de água.

Tudo andava triste. Nem folhas, nem flores, nem aves, nem um dia de Sol. E o menino andava triste
.



(...)



Matilde Rosa Araújo

in O Sol e o Menino dos Pés Frios, Livros Horizonte, Lisboa, 1986.

O Palhaço de Deus



O Palhaço de Deus, Tomie de Paola, Difusão Verbo, Lisboa, 1983.



Uma lenda muito bonita sobre um homem simples que apenas queria fazer os outros sorrir com o seu Sol nos Cèus.

Porque a felicidade é de todos os homens e não só daqueles que acreditam em Deus.



Para crianças a partir dos 7 anos.

Queres Ouvir? Eu Conto



Queres Ouvir? Eu Conto, Irene Lisboa, Editorial Presença, Lisboa, 1993.



Como diz autora do livro, são histórias para maiores e mais pequenos se entreterem.

São contos pequenos que dão ênfase à oralidade; são contos que possuem um universo imaginário muito rico mas que não deixam de se assemelhar a outras histórias conhecidas ou até mesmo, a certas histórias de vida de muitas pessoas.



Para crianças a partir dos 7 anos.

Poesia





Não quero, não



Não quero, não quero, não

ser soldado nem capitão.



Quero um cavalo só meu. seja baio ou lazão,

sentir o vento na cara,

sentir a rédea na mão.



Não quero, não quero, não,

ser soldado nem capitão.



Não quero muito do mundo:

quero saber-lhe a razão,

sentir-me dono de mim,

ao resto dizer que não.



Não quero, não quero, não,

ser soldado nem capitão.







Frutos



Pêssegos, pêras, laranjas,

Morangos, cerejas, figos,

Maçãs, melão, melancia,

Ó música de meus sentidos,

Deixai-me agora falar

Do fruto que me fascina,

Pelo sabor, pela cor,

Pelo aroma das sílabas:

Tangerina, tangerina.



Eugénio de Andrade

in Aquela Nuvem e Outras, Edições Asa, Porto, 1986.



Para crianças a partir dos 6 anos.

No dia 2 de Abril...

...comemorou-se o Dia Internacional do Livro Infantil.



Foi-me completamente impossível escrever algo nesse dia e só hoje tive algum tempo para vir ao blog.

Mas... porque não esqueci a data, faço questão de vos deixar aqui a mensagem do dia internacional do livro infantil - uma iniciativa do IBBY (INTERNATIONAL BOARD ON BOOKS FOR YOUNG PEOPLE) difundida em Portugal pela APPLIJ - Associação Portuguesa para a Promoção do Livro Infantil e Juvenil.





A luz dos livros



Os dois irmãos costumavam brincar com um globo terrestre. Davam-lhe voltas e mais voltas e, de olhos fechados, escolhiam um ponto ao acaso. Com o dedo paravam o globo e, se o ponto em que tocavam coincidia com Pequim, Madagáscar ou México, iam às bibliotecas procurar livros cujas histórias se passassem nos lugares que lhes tinham calhado.



Gostavam muito de ler. Sentiam um imenso prazer com a leitura. E, na janela do quarto deles, via-se a luz acesa até muito tarde.



Com a «luz» dos livros caminharam pela Grande Muralha da China, escutaram a canção do Oceano com os Vikings, viveram perto das pirâmides do antigo Egipto, deslizaram de trenó sobre lagos gelados na companhia de esquimós, participaram nos jogos da antiga Olímpia e até ganharam uma coroa de ramo de oliveira.



Quando finalmente adormeciam, os contos, as histórias e as lendas, os lugares, os escritores e os heróis confundiam-se nos seus sonhos e embalavam-nos suavemente: Esopo contava as suas fábulas a Xerazade no ponto mais alto da Torre Eiffel, Cristóvão Colombo escutava Tom Sawyer a relatar as suas travessuras num barco em pleno rio Mississipi, Alice passeava no País das Maravilhas pela mão de Mary Poppins e Andersen narrava as suas histórias à aranha Ananse, junto a uma pirâmide.



O jogo com o globo terrestre e os livros divertia muito os dois irmãos, porque não acabava nunca. As páginas que haviam lido tinham-nos tornado marinheiros e exploradores. Com a «luz» dos livros conquistavam o planeta, viviam em diferentes civilizações, diferentes épocas, admirando a sua imensa variedade. Dito em poucas palavras: descobriam a vida no vasto mundo, ali a dois passos do seu quartinho. Voavam para todo o lado, viajavam por toda a parte e sonhavam.



E, é claro, esqueciam-se de apagar a luz!

– Meninos, toca a dormir! – repreendiam-nos os pais. – Já é tarde. Apaguem a luz!

– Não podemos – respondiam a rir. – A «luz» dos livros nunca se apaga.



Angeliki Varella

Versão portuguesa: José António Gomes





ANGELIKI VARELLA nasceu em 1930, estudou História e Arqueologia na Universidade de Atenas e tornou-se uma das mais conhecidas e premiadas escritoras gregas de livros para crianças e jovens. Várias das obras que publicou (mais de três dezenas) são inspiradas na realidade da Grécia antiga e da sua mitologia ou ainda na vida natural. Mas aborda também problemas sociais com sentido de humor e optimismo. Dos seus muitos títulos destacam-se Nós e a Grécia (1966), Um Verão em Monemvasia (1976), Dragão, Dragão, onde Estás? (1986), Corinto (1998), Os Sapatinhos Contadores de Histórias (1998) e Dez Sanduíches com Histórias (2002).

Surpresa!



Surpresa! Surpresa!, Michael Foreman, Editorial Caminho, Lisboa, 1995.



A mãe do Pequeno Panda está quase a fazer anos. O que será que este lhe vai oferecer?

É surpresa...



Descubram o grande presente que o Pequeno Panda preparou e deliciem-se com o espanto das crianças ao ouvirem esta história.



Para crianças a partir dos 4 anos.

No Sótão



No Sótão, Hiawyn Oram e Satoshi Kitamura, Caminho, Lisboa, 1995.



Um livro sobre o mundo imaginário das crianças onde as ilustrações são a chave de ouro para cativar os miúdos.



Para crianças a partir dos 5 anos.

Adivinhas

A adivinha é um texto brevíssimo que define um ser ou um objecto pelas suas qualidades de forma metafórica. Esta figura de estilo é utilizada propositadamente de forma a tornar mais difícil a decifração da adivinha, provocando a capacidade de reflexão do adivinhador.

A adivinha também se caracteriza pela sua forma interrogativa, no entanto, mesmo que à primeira vista esta forma interrogativa não pareça estar presente, a adivinha nunca deixa de ser uma pergunta.



As fórmulas de iniciação da adivinha são universais mas podem apresentar variantes consoante os diversos países. Em Portugal, as adivinhas da tradição oral começam geralmente pelas seguintes perguntas: " O que é que é?", "Que é que é?" ou Qual é coisa qual é ela?", seguindo-se posteriormente a caracterização do ser ou objecto ao qual a adivinha se refere.

É um tipo de texto bastante importante para as crianças devido ao aspecto lúdico que possui e ao facto de

poder servir como um dos primeiros encontros das crianças com a literatura de expressão poética. No entanto, e tendo em conta que as adivinhas têm diversos graus de dificuldade, devem ser escolhidas de acordo com as diferentes idades das crianças.





Adivinha, Adivinha, Luisa Ducla Soares, Livros Horizonte, Lisboa, 1994.



Este livro possui cerca de 150 adivinhas que, pelas palavras da autora, se referem a coisas que todos conhecem, para que [as crianças] descubram a solução sem o auxílio dos mais crescidos. Para além desse aspecto importante, também os desenhos têm uma característica particular pois ilustram muitas adivinhas, mas que não estão na mesma página.



Para crianças a partir dos 6 anos.

Rimas

São textos orais, muito breves, em verso e que possuem ritmo melodia e movimento. São muito utilizadas entre as crianças desde tenra idade até à adolescência sendo estas as principais transmissoras deste tipo de literatura de expressão oral.

No entanto, são os adultos e principalmente as mães, que nos primeiros anos de vida das crianças dão voz ao sentir dos filhos que ainda não falam cantando-lhes as primeiras rimas que irão ouvir - as canções de embalar - com o intuito de os adormecerem ou embalarem.



Quem conhece algumas destas canções?

Ciro à procura de Amor



Ciro à Procura do Amor, Beatrice Masini, Livros Horizonte, Lisboa, 2000.



Uma busca de todos os Homens, pelo olhar de um gato.

Um livro delicioso.



Para crianças a partir dos 6 anos.

E porque hoje é Dia Mundia da Poesia...

...aqui fica um dos mais belos poemas de Miguel Torga.



Brinquedo



Foi um sonho que eu tive:

Era uma grande estrela de

papel,

Um cordel

e um menino de bibe.



O menino tinha lançado estrela

Com ar de quem semeia uma ilusão;

E a estrela ia subindo, azul e amarela,

Presa pelo cordel à sua mão.



Mas tão alto subiu

Que deixou de ser estrela

de papel.

E o menino ao vê-la assim,

sorriu

E cortou-lhe o cordel.



in Diário, 1941.

Como se faz Cor-de-Laranja





Deram ao menino uma caixa de aguarelas. O Menino gostava de pintar pássaros, flores, casas, árvores, rios, montanhas e tudo o que mais lhe vinha à cabeça. Mas faltavam muitas cores na caixa de aguarelas.

Um dia, o Menino quis pintar um submarino no fundo do mar. À volta do submarino havia algas azuis, verdes, roxas e vermelhas. Mas o Menino queria também que houvesse algas alaranjadas. Ficariam bem a ondular ao lado das algas azuis e verdes. Que pena a caixa de aguerelas não ter cor-de-laranja! Como se faria? Que outras cores se devia misturar para conseguir cor-de-laranja?

O Menino não sabia.




(...)



António Torrado

in Como se faz Cor-de-Laranja, Edições Asa, Porto, 1997.



Este livro foi publicado pela primeira vez em 1979, na ASA Juvenil. Em 1980, foi considerado o melhor texto para crianças publicado nos anos de 1978/79 e por essa razão, recebeu o Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças no mesmo ano.



Para crianças a partir dos 7 anos.

Pequenos Vagabundos

Como já devem ter reparado, este blog tem como principal objectivo a divulgação de alguns bons títulos de literatura infantil e juvenil que aparecem no mercado português. No entanto, é quase impossível não referir os livros que li na minha infância e que, de uma forma ou de outra, me marcaram tanto ao ponto de voltar a relê-los de vez em quando.

Hoje, é um desses livros que vos trago.







Uma história passada na Itália, nos anos 40 e que retrata uma dura experiência humana vivida por três jovens, Francesco, Domenico e Anna. Em viagem pela Itália, procuram uma vida melhor depois de se verem obrigados a fugir da sua aldeia em consequência do rasto de pobreza deixado pela Segunda Guerra Mundial.

Rosa, minha irmã Rosa



Rosa minha irmã Rosa, Alice Vieira, Caminho, Lisboa, 1985.



Recebi este livro aos 9 anos. Desde então, já perdi a conta às vezes que o reli.



É a história de Mariana, uma menina de 10 anos que um dia deixa de ser filha única e passa a partilhar tudo com a sua irmã Rosa.



(E desculpem-me, mas hoje não me apetece contar-vos mais nada sobre o livro...

Só vos posso dizer que foi com este livro que aprendi o que eram estrelícias e antúrios, aprendi também um truque para não derramar uma lágrima quando se tem vontade de chorar e sobretudo, aprendi a conhecer-me melhor.)



Para crianças a partir dos 9 anos.

Poesia popular portuguesa





Tal como já referi anteriormente, a literatura de tradição oral é um bem que deve ser preservado e transmitido a todas as gerações vindouras. É com este tipo de literatura que, desde há muitos anos trás, os mais velhos passam aos mais novos o testemunho da experiência, da imaginação, da emoção e da sabedoria. O testemunho da alma colectiva de um povo



Este livro contém, a meu ver, uma das melhores selecções de poemas da tradição oral destinada às crianças.

Alice Vieira escolheu maioritariamente poemas, canções e lengalengas, no entanto, também incluiu nesta obra os chamados romanceiros tradicionais - a Nau Catrineta ou o Conde Torres, só para citar alguns exemplos.

Para todas as idades; a partir dos 2-3 anos, desde que com o apoio do adulto.



Eu bem vi nascer o sol



Eu bem vi nascer o Sol

duma maçã vermelhinha

nunca pensei que nascesse

de coisa tão pequenina.



Eu bem vi nascer o Sol

num canivete de prata

nunca pensei que nascesse

de coisinha tão barata.



Eu bem vi nascer o Sol

nas areias do Mondego

enganei-me: foi a Lua

que o Sol não nasce tão cedo.

Um Bocadinho de Inverno





Este é um livro sobre uma amizade que une dois animais: um coelho e um ouriço. É também um livro cheio de saudade e de lembranças. Um livro que enternece e faz sorrir.





Um Bocadinho de Inverno, Paul Stewart, Caminho, Lisboa, 1998.

...





As palavras podem ser tão belas como as estações do ano. Estes livros assim o provam.





Para além do livro que apresento também existem mais três:

O Verão é o tempo grande,

O Outono é o tempo a envelhecer e

O Inverno é o tempo já velho.

Todos eles foram escritos por Maria Isabel César Anjo e ilustrados por Maria Keil.

Mais um álbum




A toupeira que queria saber quem lhe fizera aquilo na cabeça, Werener Holzwarth e Wolf Elbruch, Kalandraka, 2002.



Parece um policial: há um crime, uma vítima, vários interrogatórios e dois detectives.

No fim... uma pequena e justa "vingança".



E posso-vos dizer que as crianças adoram este livro.

Dez numa Cama



Dez numa Cama, Edições Asa, Porto, 1997.



Uma criança, nove animais de peluche, uma cama enorme e uma canção de embalar, todos juntos e à vontade dão como resultado uma folia maravilhosa que só pode acabar de uma maneira...dez numa cama a dormir profundamente.



Há livros de uma simplicidade encantadora. Este é assim.

Para crianças a partir dos 2 anos.



E não se admirem que as oiçam a "cantar" a história...

Fábulas



Fábulas, Ambar, Porto, 2002.



A fábula é uma narrativa breve e tem como característica principal a presença de personagens animais colocados em situações humanas e exemplares.



A primeira fábula foi recolhida no século V a.C. por Esopo. Mais tarde, no séc. XVII, La Fontaine também fez recolhas deste tipo de narrativa e deu-lhe a a forma de verso. Baseou-se fundamentalmente nas fábulas de Esopo e de Fedro, nos fabulários medievais e nos contos italianos.



Em Portugal e desde o século XVI, a fábula foi objecto de estudo e recolha por parte de escritores como Sá da Miranda, Francisco Manuel de Melo e Bocage.



Este livro apresenta algumas fábulas recolhidas por La Fontaine. A ilustração é de António Modesto.

no sonho, a liberdade...





Era uma vez um elefante cor de rosa...

Mas não existem elefantes cor de rosa!



Não é inteiramente verdade, a verdade é outra: não existem na Terra elefantes cor de rosa, o que é muito diferente.

Mas noutro planeta, fora da nossa galáxia, num mundo pequenino, forjado no bafo de outras estrelas e aquecido por outro sol, havia elefantes cor de rosa.



(...)



Luisa Dacosta

in O Elefante Cor de Rosa, Editora Civilização, Porto, 1996.

Trava- Línguas

São todos os jogos de palavras de proveniência popular que têm por fim, contraditoriamente, "destravar" as línguas e exercitar a dicção. Uns mais embricados que outros, caracterizam-se pela condensada brevidade da frase e pelo sobressalto das sonoridades, que a rapidez da elocução torna mais embaraçantes.



in

Varre, Varre Vassourinha, Colecção Lagarto Pintado, Plátano Editora, Lisboa, s/d.



a)

Padre Pedro prega pregos

Prega pregos, Padre Pedro.



b)

Um limão, mil limões, um milhão de limões



c)

Copo, copo, jericopo,

Jericopo, copo cá;

Quem não disser três vezes (sem se enganar)

Copo, copo, jericopo,

Jericopo, copo cá,

Por este copo não beberá.



d)

Na terra dos tigres

Um tigre, dois tigres, três tigres,

três tigres adormecidos,

e um outro tigre tigrado acordado.



e)

O rato roeu a rolha da garrafa do rei Rússia.



f)

Pardal pardo, porque palras?

Palro e palrarei,

Porque sou o pardal pardo,

Palrador de el-rei.

Mais poemas





O Impossível



Apanhar no céu faíscas

para fritar umas iscas



pegar no cheiro do prado

e pinta-lo de encarnado



meter o calor do sol

dentro do meu cachecol



plantar um pomar de rãs

em vez deste de maçãs



morar com uma sereia

num castelinho de areia



com uma toalha de água

secar toda a minha mágoa



fazer da gente crescida

uma gente divertida.



Luisa Ducla Soares

in A Gata Tareca e outros Poemas Levados da Breca, Teorema, Lisboa, 1990.

Poesia





A galinha espertinha



Era uma vez uma galinha

que entrou pela cozinha,

onde havia uma panela,

mas sem nada dentro dela.

Ouviu, então

a voz fraquinha do patrão

dizendo à cozinheira:

- "Não se arranja

por aí uma canja?

Estou cheio de fome".

Pôs a galinha uma ovo e disse:

- "Come".

E fugiu sem demora,

antes que lhe chegasse a derradeira hora.



António Manuel Couto Viana

in Versos de Palmo e Meio, Edições Asa, Lisboa, 1994.

Lendas

A lenda é uma forma de narrativa geralmente breve que pode ser escrita em prosa ou em verso. O seu argumento é tirado da tradição oral, como o conto, no entanto, as diferenças entre estas duas formas de literatura são bastante perceptíveis pois enquanto a lenda está relacionada a um determinado espaço geográfico e a uma época, o conto não possui um tempo definido e o espaço não está determinado.

A lenda explica um hábito colectivo ou uma superstição e normalmente, possui características religiosas. Está também ligada à vida de determinados heróis.

É um género de narrativa indicado para crianças a partir dos 9 anos de idade.





Lendas do Mar, José Jorge Letria, Terramar, Lisboa, 1998.



Este livro livro que reúne lendas de toda a parte e de parte nenhuma, porque este mar, esta areia e estas ondas não têm pátria. Lê-las é compreender melhor o mar como algo que tem vida, que tem muitas vidas dentro de si e de quem depende o nosso futuro, o futuro deste planeta.





Lendas da Terra, José Jorge Letria, Terramar, Lisboa, 2003.



Lendas da Terra é um livro sobre a Natureza e a necessidade de a preservarmos, sobre a coragem e o medo, sobre o amor e a falta dele, tendo as histórias que o integram sempre como fundo a Terra enquanto espaço ao mesmo tempo real, mágico e simbólico em que o sonho e a realidade se cruzam.

Aprender a Olhar



Desta vez não vos trago um livro, mas antes uma revista. Uma revista que existe a pensar (sobretudo) nas crianças e na sua avidez em saber mais.

Não se vende nos quiosques. Normalmente está escondida entre livros ou outro tipo de revistas e costuma passar despercebida. Esta, encontrei-a na FNAC do Chiado, na secção de literatura infanto-juvenil.



"Aprender a Olhar" é uma revista que aborda os mais variados assuntos relativos à cultura e às artes. Temas como os Painéis de S. Vicente ou o Museu Soares dos Reis já foram desenvolvidos nas suas páginas de uma forma muito divertida e cativante para as crianças.

Normalmente, o tema de capa é abordado através de contos ou histórias. Depois há uma série de artigos que estão directamente relacionados com o mesmo e que têm como objectivo situar o leitor no espaço e no tempo, ou então, dar a conhecer as personalidades que estão ligadas a esse tema. No fim, há sempre uma série de jogos e actividades de reflexão, interpretação e criação para as crianças realizarem.



Experimentem ler...e olhar.

Histórias Tradicionais





Esta colecção Histórias Portuguesas Contadas de Novo, por António Torrado, recomendada pelo júri dos prémios Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças 1984-1985, apresenta-se agora revista e aumentada com os inéditos "As Três finórias", "A Tristeza da Princesa e o Coelho Vermelho" e "Gustavo, o Estrejeitante Aprendiz".

Já conta com três volumes publicados pela Livraria Civilização Editora numa nova edição, sendo que cada conto foi publicado originalmente pela Editora Comunicação em 1984.

O Coelhinho Branco



O Coelhinho Branco, Colecção Caracol, Edições Plátano, Lisboa, 1983.



Quem nunca ouviu esta história?



Era uma vez um coelhinho que foi à horta buscar couves para fazer um caldinho.

Quando o coelhinho branco voltou para casa, deu com a porta fechada. Muito admirado bateu à porta.

- Quem é? - perguntaram-lhe de dentro.

- Sou eu, o coelhinho branco, que foi à horta buscar couves para fazer um caldinho.

Responderam-lhe do outro lado da porta:

- E eu sou a cabra cabrez, que te salta em cima e te faz em três!




(...)



Fazendo parte de um vasto número de histórias tradicionais portuguesas, esta história talvez seja a mais apreciada pelas crianças e a mais contada em todos os jardins de infância e escolas deste país.

Ainda hoje é a minha preferida e continuo a não me cansar de a ouvir... nem de a contar...