Mais poemas





O Impossível



Apanhar no céu faíscas

para fritar umas iscas



pegar no cheiro do prado

e pinta-lo de encarnado



meter o calor do sol

dentro do meu cachecol



plantar um pomar de rãs

em vez deste de maçãs



morar com uma sereia

num castelinho de areia



com uma toalha de água

secar toda a minha mágoa



fazer da gente crescida

uma gente divertida.



Luisa Ducla Soares

in A Gata Tareca e outros Poemas Levados da Breca, Teorema, Lisboa, 1990.

Poesia





A galinha espertinha



Era uma vez uma galinha

que entrou pela cozinha,

onde havia uma panela,

mas sem nada dentro dela.

Ouviu, então

a voz fraquinha do patrão

dizendo à cozinheira:

- "Não se arranja

por aí uma canja?

Estou cheio de fome".

Pôs a galinha uma ovo e disse:

- "Come".

E fugiu sem demora,

antes que lhe chegasse a derradeira hora.



António Manuel Couto Viana

in Versos de Palmo e Meio, Edições Asa, Lisboa, 1994.

Lendas

A lenda é uma forma de narrativa geralmente breve que pode ser escrita em prosa ou em verso. O seu argumento é tirado da tradição oral, como o conto, no entanto, as diferenças entre estas duas formas de literatura são bastante perceptíveis pois enquanto a lenda está relacionada a um determinado espaço geográfico e a uma época, o conto não possui um tempo definido e o espaço não está determinado.

A lenda explica um hábito colectivo ou uma superstição e normalmente, possui características religiosas. Está também ligada à vida de determinados heróis.

É um género de narrativa indicado para crianças a partir dos 9 anos de idade.





Lendas do Mar, José Jorge Letria, Terramar, Lisboa, 1998.



Este livro livro que reúne lendas de toda a parte e de parte nenhuma, porque este mar, esta areia e estas ondas não têm pátria. Lê-las é compreender melhor o mar como algo que tem vida, que tem muitas vidas dentro de si e de quem depende o nosso futuro, o futuro deste planeta.





Lendas da Terra, José Jorge Letria, Terramar, Lisboa, 2003.



Lendas da Terra é um livro sobre a Natureza e a necessidade de a preservarmos, sobre a coragem e o medo, sobre o amor e a falta dele, tendo as histórias que o integram sempre como fundo a Terra enquanto espaço ao mesmo tempo real, mágico e simbólico em que o sonho e a realidade se cruzam.

Aprender a Olhar



Desta vez não vos trago um livro, mas antes uma revista. Uma revista que existe a pensar (sobretudo) nas crianças e na sua avidez em saber mais.

Não se vende nos quiosques. Normalmente está escondida entre livros ou outro tipo de revistas e costuma passar despercebida. Esta, encontrei-a na FNAC do Chiado, na secção de literatura infanto-juvenil.



"Aprender a Olhar" é uma revista que aborda os mais variados assuntos relativos à cultura e às artes. Temas como os Painéis de S. Vicente ou o Museu Soares dos Reis já foram desenvolvidos nas suas páginas de uma forma muito divertida e cativante para as crianças.

Normalmente, o tema de capa é abordado através de contos ou histórias. Depois há uma série de artigos que estão directamente relacionados com o mesmo e que têm como objectivo situar o leitor no espaço e no tempo, ou então, dar a conhecer as personalidades que estão ligadas a esse tema. No fim, há sempre uma série de jogos e actividades de reflexão, interpretação e criação para as crianças realizarem.



Experimentem ler...e olhar.

Histórias Tradicionais





Esta colecção Histórias Portuguesas Contadas de Novo, por António Torrado, recomendada pelo júri dos prémios Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças 1984-1985, apresenta-se agora revista e aumentada com os inéditos "As Três finórias", "A Tristeza da Princesa e o Coelho Vermelho" e "Gustavo, o Estrejeitante Aprendiz".

Já conta com três volumes publicados pela Livraria Civilização Editora numa nova edição, sendo que cada conto foi publicado originalmente pela Editora Comunicação em 1984.

O Coelhinho Branco



O Coelhinho Branco, Colecção Caracol, Edições Plátano, Lisboa, 1983.



Quem nunca ouviu esta história?



Era uma vez um coelhinho que foi à horta buscar couves para fazer um caldinho.

Quando o coelhinho branco voltou para casa, deu com a porta fechada. Muito admirado bateu à porta.

- Quem é? - perguntaram-lhe de dentro.

- Sou eu, o coelhinho branco, que foi à horta buscar couves para fazer um caldinho.

Responderam-lhe do outro lado da porta:

- E eu sou a cabra cabrez, que te salta em cima e te faz em três!




(...)



Fazendo parte de um vasto número de histórias tradicionais portuguesas, esta história talvez seja a mais apreciada pelas crianças e a mais contada em todos os jardins de infância e escolas deste país.

Ainda hoje é a minha preferida e continuo a não me cansar de a ouvir... nem de a contar...

Oh!





A maioria dos livros que já referi são livros literários. No entanto, neste vasto universo da literatura infantil também há mais dois tipos de livros - os livros didácticos e os álbuns.

O livro de hoje faz parte da categoria dos álbuns.

Os álbuns são livros que não têm uma função literária mas antes apelam para as percepções sensoriais das crianças através das imagens, da cor e da relação entre os elementos que constituem o livro.



Neste livro, podemos encontrar imagens que se transformam noutras completamente diferentes com um simples virar de página. Um cachimbo transforma-se num gato, este transforma-se numa escova de dentes, escova num elefante e por aí fora...



É um livro mágico.

Para todas as crianças a partir dos 2 anos de idade.

Livros que existem entre o lamento e a esperança





Tocar



A Lua está lá no céu

Quem é que a vai tocar?

São duas mãos pequeninas

Que não se podem queimar

E as estrelas lá no céu

Quem é que as vai tocar?

São duas mãos com anéis

De brilhantes a brilhar

E os pássaros lá no céu

Quem é que os vai tocar?



Pássaros em liberdade

Ninguém os deve buscar.




Matilde Rosa Araújo

in As Fadas Verdes, Editora Civilização, Porto, 1994.



De uma sensibilidade apurada e minimal, exaltando a comunhão com a natureza, com os seres e a divindade, franciscana por excelência, a poesia de Matilde leva-nos a redescobrir o prazer de existir e de ler.



José António Gomes

Elmer





Era uma vez uma manada de elefantes. Elefantes novos, elefantes velhos, elefantes altos ou magros ou gordos. Elefantes assim, elefantes assado, todos diferentes mas todos felizes e todos da mesma cor. Todos quer dizer, menos o Elmer.



O Elmer era diferente.

O Elmer era aos quadrados.

O Elmer era amarelo.

e cor de laranja

e cor-de-rosa

e roxo

e azul

e verde

e preto

e branco.

O Elmer não era cor de elefante.




(...)



David McKee,

in Elmer, Caminho, Lisboa, 2003.



E porque nem sempre são necessárias muitas palavras... este é um dos melhores livros de literatura infantil escrito por autores estrangeiros.

Contos Maravilhosos





Não tenho dúvidas em afirmar que este livro e todos os outros que constituem esta colecção (são dez livros), são os melhores no que diz respeito aos contos maravilhosos que todos conhecemos.

Nestes livros não se encontram as versões erradamente adaptadas para as crianças, mas sim os contos originais - um aspecto importantíssimo de que falarei mais tarde.

E, mais uma vez, as ilustrações. Desta vez pelos grandes ilustradores da Escola Russa.



Os outros livros são:

Os mais belos contos de Grimm II;

Os mais belos contos de Perrault;

As mais belas fábulas de Esopo;

Os mais belos contos de Animais;

Os mais belos contos do Mundo;

Os mais belos contos de Andersen;

As mais belas Histórias Tradicionais;

Os mais belos contos da Rússia.

Formar Leitores #1

Numa formação que tive sobre escrita criativa, a formadora aconselhava todos os formandos a utilizarem fichas de leitura para serem realizadas depois da leitura de livros. Eram um género de "bilhetes de identidade" dos livros onde o leitor deveria colocar o nome do livro, o autor, as personagens e também aquilo que tinha gostado mais nesse livro. Para além de tudo isto, também poderia ser pedido ao leitor que desse um final diferente à história.

Dizia a formadora que estas fichas de leitura eram importantes pois obrigavam as crianças a pensar no que tinham lido e a tomar mais atenção a certos pormenores que, à partida, lhes passariam despercebidos.

(Como se fossem estas fichas que fizessem com que as crianças gostassem mais de ler...)



Não gostei muito desta sugestão e disse-o. E na altura, houve um pequeno confronto de ideias e opiniões, mas não deixei de continuar a pensar da mesma forma.

Se nos pedissem a nós, adultos, para fazer uma ficha de leitura deste género depois de lermos um livro como O Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago ou A Pérola, de John Steinbeck, ou de outro livro qualquer, gostaria de saber quel seria o prazer que iríamos ter nisso. Gostaria de saber o que iria acrescentar à nossa leitura se mudássemos o final do Ensaio sobre a Cegueira e que proveito teríamos com tal "usurpação".



Não são os registos escritos das leituras dos livros que fazem com que as crianças tenham mais prazer em ler. Esta tarefa até pode tornar a leitura maçadora já que as crianças sabem que a seguir lá terão de escrever uma série de questões sobre o livro. Ou seja, em vez de promover o gosto pela leitura, consegue destruir tudo o que até então poderia estar adquirido.



Como diz José Pedro Gomes no seu livro Da Nascente à Voz, só transmite o gosto de ler quem tem enraizada a paixão pelos livros e foi formado no sentido de a comunicar.

Só tenho pena que a maioria dos Professores do 1º ciclo do Ensino Básico goste deste tipo de trabalhos escolares e pior, não incentivem a leitura nos seus alunos.

Continua a ser demasiado predominante a preocupação dos professores em seguir à risca os "programas" delineados pelo Ministério da Educação, com medo de represálias por parte das inspecções e até dos encarregados de educação. No entanto, esquecem-se que nestes tais "programas" está previsto um tempo para a literatura infantil, nomeadamente para a literatura de expressão oral.

Pensem nisso.

Poesia

(para ler num susurro)



História do Senhor Mar



Deixa contar...

Era uma vez

O senhor Mar

Com uma onda...

Com muita onda...



E depois?

E depois...

Ondinha vai...

Ondinha vem...

Ondinha vai...

Ondinha vem...

E depois...



A menina adormeceu

Nos braços da sua Mãe...



Matilde Rosa Araújo

in O Livro da Tila – poemas para crianças, 10ª edição, Livros Horizonte, Lisboa, 1986.

Livro(s) #6





Este livro faz parte de uma colecção intitulada "Histórias Tradicionais Portuguesas" e é constituída por catorze livros.



Estas histórias foram recontadas pela escritora Alice Vieira que conseguiu recuperar a maioria dos aspectos fundamentais da literatura tradicional oral como a acentuação rítmica das frases, a utilização constante de rimas internas e também a utilização de fórmulas de introdução da história.

Todos estes livros têm a participação de diversos ilustradores tornando assim cada livro muito diferente do outro.



Uma colecção fundamental. A ler a todas as crianças a partir dos 4/5 anos.

Livro #5



Julieta e Romeu, Livros Horizonte, Lisboa, 2002.



Um texto de Nicola Cinquetti, inspirado na história narrada por Luigi da Porto, publicada em 1532 e imortalizada por William Shakespeare em 1594.







Em frente à casa de Julieta, na bela cidade de Verona, uma criança observava o muro coberto de inscrições e lia os nomes e as mensagens cravados nos corações enviesados.

Depois voltou-se, ergueu um instante o olhar em direcção à varanda e pediu-me que lhe contasse a história de Julieta e Romeu.

Livro #4



A Menina do Mar, Sophia de Mello Breyner Andresen, Figueirinhas, Porto, 2000.



Ler os livros da Sophia é como ouvir o marulhar das ondas na praia. É um embalo nas noites de solidão.

Literatura de Expressão Oral

A literatura de expressão oral integra o indivíduo num determinado grupo a quem confere marcas de identidade. Em comunidades onde a escrita não é o veículo normal de expressão, é esta a forma de literatura que reflecte a sua história, a sua cultura, os seus valores mágico-religiosos, a sua maneira de viver a vida, enquanto na literatura "escrita" o emissor é o escritor, indivíduo historicamente situado.



Na literatura de expressão oral a responsabilidade dos macrotextos pertence à comunidade, que os actualiza a nível discursivo, segundo as necessidades do momento.

(...)

Os conteúdos da literatura de expressão oral têm peranecido ao longo dos tempos. É a comunidade que os transmite e perpetua. A sua perenidade deve-se ao facto de retratarem os grandes problemas do homem de hoje e de sempre: a luta pela autonomia, a rivalidade com as figuras parentais, a rivalidade fraterna, a construção de uma identidade adulta, a solidão do homeme na Terra, a realidade trágica e por vezes cruel das relações humanas. (...)




Maria Augusta Seabra Diniz

in As Fadas não foram à Escola, Lisboa, Edições Asa, 1994.

Livro #3



A Sereiazinha, Hans Chistian Andersen, Edições Afrontamento, Porto, 1995.



Uma história triste feita de saudades, de separações, de destinos incertos. Um clássico.



Longe, lá longe no mar alto, a água é tão azul como as pétalas da mais bela centáurea e tão límpida como o vidro mais trasnparente; mas é profunda, muito profunda, tão profunda que nenhuma âncora jamais lá chegou. Seria preciso colocar inúmeras torres de igreja umas sobre as outraspara chegarem do leito do mar até à superfície.

Nessas profundezas, vivia o povo das águas.




(...)







Não posso deixar de referir as belíssimas ilustrações de Manuela Bacelar que, com este trabalho, recebeu o Prémio Nacional de Ilustração em 1996.

Livro #2





Era uma vez a Terra.

E era uma vez Marte.

Ficavam muito longe um do outro, no meio do céu, e à volta havia milhões de planetas e de galáxias.



(...)



Numa bela manhã partiram da Terra três foguetões de três pontos diferentes.



No primeiro ia um americano, que todo alegra assobiava uma ária de jazz.

No segundo ia um russo, que cantava com uma voz profunda "Volga, Volga".

No terceiro ia um chinês, que cantava uma belíssima canção que os outros dois achavam desafinada.




(...)



E mais não conto.

E desta vez não têm a desculpa do preço... dois euros e meio, apenas.

Poema #1





Luisa Ducla Soares

in Poemas da Mentira e da Verdade, Lisboa, Livros Horizonte, 1999.

Livro #1



O Sapo e o Canto do Melro, Max Velthuijs, Caminho, 1997.



Tal como em toda a colecção do Sapo, este livro também é um álbum repleto de cor. Desenhos simples, um narrativa pouco extensa, um vocabulário cuidado e indicado para uma faixa etária dos 3 as 7 anos.



O tema - a morte. E a vida que continua no caminho daqueles que ficam.

lengalenga 1

Sola, sapato,

rei, rainha,

Foi ao mar

pescar sardinha

para a filha do juiz

que está presa

pelo nariz.



Salta a pulga

da balança

dá um pulo

e vai para França

Os cavalos a correr,

as meninas a aprender,

qual será a mais bonita

que comigo se vai esconder?