No Sótão



No Sótão, Hiawyn Oram e Satoshi Kitamura, Caminho, Lisboa, 1995.



Um livro sobre o mundo imaginário das crianças onde as ilustrações são a chave de ouro para cativar os miúdos.



Para crianças a partir dos 5 anos.

Adivinhas

A adivinha é um texto brevíssimo que define um ser ou um objecto pelas suas qualidades de forma metafórica. Esta figura de estilo é utilizada propositadamente de forma a tornar mais difícil a decifração da adivinha, provocando a capacidade de reflexão do adivinhador.

A adivinha também se caracteriza pela sua forma interrogativa, no entanto, mesmo que à primeira vista esta forma interrogativa não pareça estar presente, a adivinha nunca deixa de ser uma pergunta.



As fórmulas de iniciação da adivinha são universais mas podem apresentar variantes consoante os diversos países. Em Portugal, as adivinhas da tradição oral começam geralmente pelas seguintes perguntas: " O que é que é?", "Que é que é?" ou Qual é coisa qual é ela?", seguindo-se posteriormente a caracterização do ser ou objecto ao qual a adivinha se refere.

É um tipo de texto bastante importante para as crianças devido ao aspecto lúdico que possui e ao facto de

poder servir como um dos primeiros encontros das crianças com a literatura de expressão poética. No entanto, e tendo em conta que as adivinhas têm diversos graus de dificuldade, devem ser escolhidas de acordo com as diferentes idades das crianças.





Adivinha, Adivinha, Luisa Ducla Soares, Livros Horizonte, Lisboa, 1994.



Este livro possui cerca de 150 adivinhas que, pelas palavras da autora, se referem a coisas que todos conhecem, para que [as crianças] descubram a solução sem o auxílio dos mais crescidos. Para além desse aspecto importante, também os desenhos têm uma característica particular pois ilustram muitas adivinhas, mas que não estão na mesma página.



Para crianças a partir dos 6 anos.

Rimas

São textos orais, muito breves, em verso e que possuem ritmo melodia e movimento. São muito utilizadas entre as crianças desde tenra idade até à adolescência sendo estas as principais transmissoras deste tipo de literatura de expressão oral.

No entanto, são os adultos e principalmente as mães, que nos primeiros anos de vida das crianças dão voz ao sentir dos filhos que ainda não falam cantando-lhes as primeiras rimas que irão ouvir - as canções de embalar - com o intuito de os adormecerem ou embalarem.



Quem conhece algumas destas canções?

Ciro à procura de Amor



Ciro à Procura do Amor, Beatrice Masini, Livros Horizonte, Lisboa, 2000.



Uma busca de todos os Homens, pelo olhar de um gato.

Um livro delicioso.



Para crianças a partir dos 6 anos.

E porque hoje é Dia Mundia da Poesia...

...aqui fica um dos mais belos poemas de Miguel Torga.



Brinquedo



Foi um sonho que eu tive:

Era uma grande estrela de

papel,

Um cordel

e um menino de bibe.



O menino tinha lançado estrela

Com ar de quem semeia uma ilusão;

E a estrela ia subindo, azul e amarela,

Presa pelo cordel à sua mão.



Mas tão alto subiu

Que deixou de ser estrela

de papel.

E o menino ao vê-la assim,

sorriu

E cortou-lhe o cordel.



in Diário, 1941.

Como se faz Cor-de-Laranja





Deram ao menino uma caixa de aguarelas. O Menino gostava de pintar pássaros, flores, casas, árvores, rios, montanhas e tudo o que mais lhe vinha à cabeça. Mas faltavam muitas cores na caixa de aguarelas.

Um dia, o Menino quis pintar um submarino no fundo do mar. À volta do submarino havia algas azuis, verdes, roxas e vermelhas. Mas o Menino queria também que houvesse algas alaranjadas. Ficariam bem a ondular ao lado das algas azuis e verdes. Que pena a caixa de aguerelas não ter cor-de-laranja! Como se faria? Que outras cores se devia misturar para conseguir cor-de-laranja?

O Menino não sabia.




(...)



António Torrado

in Como se faz Cor-de-Laranja, Edições Asa, Porto, 1997.



Este livro foi publicado pela primeira vez em 1979, na ASA Juvenil. Em 1980, foi considerado o melhor texto para crianças publicado nos anos de 1978/79 e por essa razão, recebeu o Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças no mesmo ano.



Para crianças a partir dos 7 anos.

Pequenos Vagabundos

Como já devem ter reparado, este blog tem como principal objectivo a divulgação de alguns bons títulos de literatura infantil e juvenil que aparecem no mercado português. No entanto, é quase impossível não referir os livros que li na minha infância e que, de uma forma ou de outra, me marcaram tanto ao ponto de voltar a relê-los de vez em quando.

Hoje, é um desses livros que vos trago.







Uma história passada na Itália, nos anos 40 e que retrata uma dura experiência humana vivida por três jovens, Francesco, Domenico e Anna. Em viagem pela Itália, procuram uma vida melhor depois de se verem obrigados a fugir da sua aldeia em consequência do rasto de pobreza deixado pela Segunda Guerra Mundial.

Rosa, minha irmã Rosa



Rosa minha irmã Rosa, Alice Vieira, Caminho, Lisboa, 1985.



Recebi este livro aos 9 anos. Desde então, já perdi a conta às vezes que o reli.



É a história de Mariana, uma menina de 10 anos que um dia deixa de ser filha única e passa a partilhar tudo com a sua irmã Rosa.



(E desculpem-me, mas hoje não me apetece contar-vos mais nada sobre o livro...

Só vos posso dizer que foi com este livro que aprendi o que eram estrelícias e antúrios, aprendi também um truque para não derramar uma lágrima quando se tem vontade de chorar e sobretudo, aprendi a conhecer-me melhor.)



Para crianças a partir dos 9 anos.

Poesia popular portuguesa





Tal como já referi anteriormente, a literatura de tradição oral é um bem que deve ser preservado e transmitido a todas as gerações vindouras. É com este tipo de literatura que, desde há muitos anos trás, os mais velhos passam aos mais novos o testemunho da experiência, da imaginação, da emoção e da sabedoria. O testemunho da alma colectiva de um povo



Este livro contém, a meu ver, uma das melhores selecções de poemas da tradição oral destinada às crianças.

Alice Vieira escolheu maioritariamente poemas, canções e lengalengas, no entanto, também incluiu nesta obra os chamados romanceiros tradicionais - a Nau Catrineta ou o Conde Torres, só para citar alguns exemplos.

Para todas as idades; a partir dos 2-3 anos, desde que com o apoio do adulto.



Eu bem vi nascer o sol



Eu bem vi nascer o Sol

duma maçã vermelhinha

nunca pensei que nascesse

de coisa tão pequenina.



Eu bem vi nascer o Sol

num canivete de prata

nunca pensei que nascesse

de coisinha tão barata.



Eu bem vi nascer o Sol

nas areias do Mondego

enganei-me: foi a Lua

que o Sol não nasce tão cedo.

Um Bocadinho de Inverno





Este é um livro sobre uma amizade que une dois animais: um coelho e um ouriço. É também um livro cheio de saudade e de lembranças. Um livro que enternece e faz sorrir.





Um Bocadinho de Inverno, Paul Stewart, Caminho, Lisboa, 1998.

...





As palavras podem ser tão belas como as estações do ano. Estes livros assim o provam.





Para além do livro que apresento também existem mais três:

O Verão é o tempo grande,

O Outono é o tempo a envelhecer e

O Inverno é o tempo já velho.

Todos eles foram escritos por Maria Isabel César Anjo e ilustrados por Maria Keil.

Mais um álbum




A toupeira que queria saber quem lhe fizera aquilo na cabeça, Werener Holzwarth e Wolf Elbruch, Kalandraka, 2002.



Parece um policial: há um crime, uma vítima, vários interrogatórios e dois detectives.

No fim... uma pequena e justa "vingança".



E posso-vos dizer que as crianças adoram este livro.

Dez numa Cama



Dez numa Cama, Edições Asa, Porto, 1997.



Uma criança, nove animais de peluche, uma cama enorme e uma canção de embalar, todos juntos e à vontade dão como resultado uma folia maravilhosa que só pode acabar de uma maneira...dez numa cama a dormir profundamente.



Há livros de uma simplicidade encantadora. Este é assim.

Para crianças a partir dos 2 anos.



E não se admirem que as oiçam a "cantar" a história...

Fábulas



Fábulas, Ambar, Porto, 2002.



A fábula é uma narrativa breve e tem como característica principal a presença de personagens animais colocados em situações humanas e exemplares.



A primeira fábula foi recolhida no século V a.C. por Esopo. Mais tarde, no séc. XVII, La Fontaine também fez recolhas deste tipo de narrativa e deu-lhe a a forma de verso. Baseou-se fundamentalmente nas fábulas de Esopo e de Fedro, nos fabulários medievais e nos contos italianos.



Em Portugal e desde o século XVI, a fábula foi objecto de estudo e recolha por parte de escritores como Sá da Miranda, Francisco Manuel de Melo e Bocage.



Este livro apresenta algumas fábulas recolhidas por La Fontaine. A ilustração é de António Modesto.

no sonho, a liberdade...





Era uma vez um elefante cor de rosa...

Mas não existem elefantes cor de rosa!



Não é inteiramente verdade, a verdade é outra: não existem na Terra elefantes cor de rosa, o que é muito diferente.

Mas noutro planeta, fora da nossa galáxia, num mundo pequenino, forjado no bafo de outras estrelas e aquecido por outro sol, havia elefantes cor de rosa.



(...)



Luisa Dacosta

in O Elefante Cor de Rosa, Editora Civilização, Porto, 1996.

Trava- Línguas

São todos os jogos de palavras de proveniência popular que têm por fim, contraditoriamente, "destravar" as línguas e exercitar a dicção. Uns mais embricados que outros, caracterizam-se pela condensada brevidade da frase e pelo sobressalto das sonoridades, que a rapidez da elocução torna mais embaraçantes.



in

Varre, Varre Vassourinha, Colecção Lagarto Pintado, Plátano Editora, Lisboa, s/d.



a)

Padre Pedro prega pregos

Prega pregos, Padre Pedro.



b)

Um limão, mil limões, um milhão de limões



c)

Copo, copo, jericopo,

Jericopo, copo cá;

Quem não disser três vezes (sem se enganar)

Copo, copo, jericopo,

Jericopo, copo cá,

Por este copo não beberá.



d)

Na terra dos tigres

Um tigre, dois tigres, três tigres,

três tigres adormecidos,

e um outro tigre tigrado acordado.



e)

O rato roeu a rolha da garrafa do rei Rússia.



f)

Pardal pardo, porque palras?

Palro e palrarei,

Porque sou o pardal pardo,

Palrador de el-rei.