Mais Rimas





Mais uma vez, José Jorge Letria apresenta-nos um livros cheio de versos divertidos para todos aqueles que gostam de ler e ouvir ler.





Por causa de uma cebola

chorei o suficiente

para encher uma ampola.

Com o sal de uma lágrima

dei brilho a uma lantejoula,

apanhei uma papoula,

dei milho a uma rola

e depois sentei-me à mesa

comendo comida crioula.




José Jorge Letria

in Uma Mão cheia de Rimas para Primos e Primas, Terramar, Lisboa, 1996.

Dia Mundial do Livro

Reler não é repetir, é renovar constantemente um infatigável amor.



Daniel Pennac

in Como Um Romance

O Tesouro





Há muitos anos, no tempo em que o teu pai andava na escola, num país muito distante vivia um povo infeliz e solitário, vergado sob o peso de uma misteriosa tristeza. O céu era alto e azul, os campos férteis, o mar e os rios cheios de peixes e de vida, as cidades quentes e luminosas, mas as pessoas que passavam entreolhavam-se com olhos tristes, caminhando apressadamente e sumindo-se dentro das casas; e quando se esncontravam umas com as outras, nos cafés, nos empregos, na rua, falavam baixo, como se alguma coisa, um segredo terrível, as amedrontasse.



Quem, vindo de outras terras, chagava ao Páis das Pessoas Tristes, não compreendia. As pessoas eram boas e afectuosas, e aparentemente só tinham motivos para para ser felizes. Mas quando lhes faziam perguntas, as pessoas afastavam-se e não respondiam, ou mudavam delicadamente de assunto pedindo desculpa.


(...)



Manuel António Pina

in O Tesouro, Associação 25 de Abril, s/d.

Era Uma Vez um Cravo





Tendo como fio condutor um cravo vermelho, a história fala de todo o ambiente vivido em Lisboa no dia da Revolução.

Mais uma vez, José Jorge Letria e o seu filho, André Letria, juntos, num livro vermelho de alegria.





Era uma vez um cravo

nascido no mês de Abril

para enfeitar a tarde

de uma festa infantil



Era vermelho e fresco

como um fruto da estação

e posto numa lapela

fazia um figurão



(...)



E esse cravo de Abril

de um veremlho tão vivo

olhava o mundo em redor

como seu olhar altivo



Mas era um cravo triste

porque triste era o seu país

e a sua tristeza ia

desde o caule à raiz



(...)



Mas nessa noite acordou

ao ouvir na telefonia

uma música bonita

que anunciava alegria



Um cantor chamado Zeca

dizia no seu refrão

que era tempo de amizade

com um travo de emoção



(...)




José Jorge Letria

in Era uma Vez um Cravo, Câmara Municipal de Lisboa - Departamento de Cultura, 1999.

Livros infantis e juvenis sobre a Revolução

A partir de hoje e durante alguns dias vou dar-vos a conhecer alguns livros que falam sobre o 25 de Abril. São todos muito diferentes: uns com uma linguagem mais simples, outros com um discurso mais elaborado, uns com ilustrações, outros sem qualquer tipo de desenho ou com muito poucos, uns em prosa, e outros em verso. De qualquer forma, todos eles são excelentes.

Espero que gostem!

Este mês...

...na Fábrica da Pólvora, em Barcarena.



A poesia na prosa das palavras





Mais um livros da minha infância.

A edição já é muito antiga, data de 1986. Presentemente, a capa do livro está um pouco diferente mas acho que as alterações não foram assim tão grandes e é fácil reconhecer o livro em qualquer livraria.



O Sol



Eu devia ter uma pena de luz para contar esta história. E não tenho. Mas os olhos dos meninos são luz e quem me lê há-de emprestar luz a estas palavras.

Chovia muito. Dias seguidos. Às vezes a chuva cai miudinha como flores. Ou dedos leves e frios que nos passm pela cabeça, pelo rosto. Mas agora não. Tinham sido cordas de chuva, grossas. Longos e grandes navios de chuva. E o Sol não aparecia.

Chovia muito. Muito. Levantava-se o dia a chover. A noite subia da terra para o céu naqueles navios de água.

Tudo andava triste. Nem folhas, nem flores, nem aves, nem um dia de Sol. E o menino andava triste
.



(...)



Matilde Rosa Araújo

in O Sol e o Menino dos Pés Frios, Livros Horizonte, Lisboa, 1986.

O Palhaço de Deus



O Palhaço de Deus, Tomie de Paola, Difusão Verbo, Lisboa, 1983.



Uma lenda muito bonita sobre um homem simples que apenas queria fazer os outros sorrir com o seu Sol nos Cèus.

Porque a felicidade é de todos os homens e não só daqueles que acreditam em Deus.



Para crianças a partir dos 7 anos.

Queres Ouvir? Eu Conto



Queres Ouvir? Eu Conto, Irene Lisboa, Editorial Presença, Lisboa, 1993.



Como diz autora do livro, são histórias para maiores e mais pequenos se entreterem.

São contos pequenos que dão ênfase à oralidade; são contos que possuem um universo imaginário muito rico mas que não deixam de se assemelhar a outras histórias conhecidas ou até mesmo, a certas histórias de vida de muitas pessoas.



Para crianças a partir dos 7 anos.

Poesia





Não quero, não



Não quero, não quero, não

ser soldado nem capitão.



Quero um cavalo só meu. seja baio ou lazão,

sentir o vento na cara,

sentir a rédea na mão.



Não quero, não quero, não,

ser soldado nem capitão.



Não quero muito do mundo:

quero saber-lhe a razão,

sentir-me dono de mim,

ao resto dizer que não.



Não quero, não quero, não,

ser soldado nem capitão.







Frutos



Pêssegos, pêras, laranjas,

Morangos, cerejas, figos,

Maçãs, melão, melancia,

Ó música de meus sentidos,

Deixai-me agora falar

Do fruto que me fascina,

Pelo sabor, pela cor,

Pelo aroma das sílabas:

Tangerina, tangerina.



Eugénio de Andrade

in Aquela Nuvem e Outras, Edições Asa, Porto, 1986.



Para crianças a partir dos 6 anos.

No dia 2 de Abril...

...comemorou-se o Dia Internacional do Livro Infantil.



Foi-me completamente impossível escrever algo nesse dia e só hoje tive algum tempo para vir ao blog.

Mas... porque não esqueci a data, faço questão de vos deixar aqui a mensagem do dia internacional do livro infantil - uma iniciativa do IBBY (INTERNATIONAL BOARD ON BOOKS FOR YOUNG PEOPLE) difundida em Portugal pela APPLIJ - Associação Portuguesa para a Promoção do Livro Infantil e Juvenil.





A luz dos livros



Os dois irmãos costumavam brincar com um globo terrestre. Davam-lhe voltas e mais voltas e, de olhos fechados, escolhiam um ponto ao acaso. Com o dedo paravam o globo e, se o ponto em que tocavam coincidia com Pequim, Madagáscar ou México, iam às bibliotecas procurar livros cujas histórias se passassem nos lugares que lhes tinham calhado.



Gostavam muito de ler. Sentiam um imenso prazer com a leitura. E, na janela do quarto deles, via-se a luz acesa até muito tarde.



Com a «luz» dos livros caminharam pela Grande Muralha da China, escutaram a canção do Oceano com os Vikings, viveram perto das pirâmides do antigo Egipto, deslizaram de trenó sobre lagos gelados na companhia de esquimós, participaram nos jogos da antiga Olímpia e até ganharam uma coroa de ramo de oliveira.



Quando finalmente adormeciam, os contos, as histórias e as lendas, os lugares, os escritores e os heróis confundiam-se nos seus sonhos e embalavam-nos suavemente: Esopo contava as suas fábulas a Xerazade no ponto mais alto da Torre Eiffel, Cristóvão Colombo escutava Tom Sawyer a relatar as suas travessuras num barco em pleno rio Mississipi, Alice passeava no País das Maravilhas pela mão de Mary Poppins e Andersen narrava as suas histórias à aranha Ananse, junto a uma pirâmide.



O jogo com o globo terrestre e os livros divertia muito os dois irmãos, porque não acabava nunca. As páginas que haviam lido tinham-nos tornado marinheiros e exploradores. Com a «luz» dos livros conquistavam o planeta, viviam em diferentes civilizações, diferentes épocas, admirando a sua imensa variedade. Dito em poucas palavras: descobriam a vida no vasto mundo, ali a dois passos do seu quartinho. Voavam para todo o lado, viajavam por toda a parte e sonhavam.



E, é claro, esqueciam-se de apagar a luz!

– Meninos, toca a dormir! – repreendiam-nos os pais. – Já é tarde. Apaguem a luz!

– Não podemos – respondiam a rir. – A «luz» dos livros nunca se apaga.



Angeliki Varella

Versão portuguesa: José António Gomes





ANGELIKI VARELLA nasceu em 1930, estudou História e Arqueologia na Universidade de Atenas e tornou-se uma das mais conhecidas e premiadas escritoras gregas de livros para crianças e jovens. Várias das obras que publicou (mais de três dezenas) são inspiradas na realidade da Grécia antiga e da sua mitologia ou ainda na vida natural. Mas aborda também problemas sociais com sentido de humor e optimismo. Dos seus muitos títulos destacam-se Nós e a Grécia (1966), Um Verão em Monemvasia (1976), Dragão, Dragão, onde Estás? (1986), Corinto (1998), Os Sapatinhos Contadores de Histórias (1998) e Dez Sanduíches com Histórias (2002).

Surpresa!



Surpresa! Surpresa!, Michael Foreman, Editorial Caminho, Lisboa, 1995.



A mãe do Pequeno Panda está quase a fazer anos. O que será que este lhe vai oferecer?

É surpresa...



Descubram o grande presente que o Pequeno Panda preparou e deliciem-se com o espanto das crianças ao ouvirem esta história.



Para crianças a partir dos 4 anos.