A Nau Catrineta

O Romanceiro Português é um conjunto de romances tradicionais populares. DSem autor conhecido nem texto fixo, os romances são transmitidos por via oral, o que origina um grande número de variantes. A sua origem está ligada aos cantares de gesta.



Maria Augusta Seabra Diniz

in As Fadas não foram à Escola, Lisboa, Edições Asa, 1994.





A Nau Catrineta foi uma das recolhas efectuadas por Almeida Garrett, entre 1830 e 1851 e que juntamente com outra poesias de tradição popular deram origem aos três volumes do Romanceiro.





Lá vem a Nau Catrineta

Que tem muito que contar!

Ouvide agora, senhores,

Uma história de pasmar.



Passava mais de ano e dia

Que iam na volta do mar,

Já não tinham que comer,

Já não tinham que manjar.



Deitaram sola de molho

Para o outro dia jantar;

Mas a sola era tão rija,

Que a não puderam tragar.



Deitaram sortes à ventura

Qual se havia de matar;

Logo foi cair a sorte

No capitão general.



- "Sobe, sobe, marujinho,

Àquele mastro real,

Vê se vês terras de Espanha,

As praias de Portugal!"



- "Não vejo terras de Espanha,

Nem praias de Portugal;

Vejo sete espadas nuas

Que estão para te matar."



- "Acima, acima, gageiro,

Acima ao tope real!

Olha se enxergas Espanha,

Areias de Portugal!"



- "Alvíssaras, capitão,

Meu capitão general!

Já vejo terras de Espanha,

Areias de Portugal!"

Mais enxergo três meninas,

Debaixo de um laranjal:

Uma sentada a coser,

Outra na roca a fiar,

A mais formosa de todas

Está no meio a chorar."




(...)

Ser Feliz





Ser feliz é maravilhoso

É como ter um balão dentro de ti

e o balão está cheio de ar quente,

tu ficas mais leve e quase a voar.




(...)



Leif Kristiansson

in Ser Feliz, Editorial Presença, Lisboa, 1997.

[tradução de Sophia de Mello Breyner Andresen]

Ciro











De noite todos os gatos são pardos, porque o escuro é tão escuro que apaga todas as cores, mesmo a cor dos pêlos dos gatos.

Mas não em Veneza.

Não em veneza, nas noites de lua cheia.

Porque é nessas noites que os gatos de Veneza exibem todas as suas cores: arqueiam o dorso e espetam o pêlo para parecerem maiores.

Porque é nessas noites que os gatos de Veneza vão à caça de amor.



Também o Ciro andava à caça de amor.


(...)



Beatrice Masini

in Ciro à procura de Amor, Livros Horizonte, Lisboa, 2000.

Os Gnomos de Gnu





[o texto segue dentro de momentos]